Como seres humanos temos grande facilidade para nos identificarmos com objetos, pessoas, livros músicas, e realmente nos apegar a isso, pois na verdade são esses objetos identificatórios que nos definem. Ou seja, quem somos, do que gostamos, o que queremos somente pode ser compreendido pelo OUTRO (podem dar risadas) através desse conjunto, ou da falta dele.
Eu, como boa neuróticazinha que sou, tenho uma bela coleção que fala por mim. Uma parte muito importante dessa coleção são os livros que li, porque esses realmente são os que conseguem me definir da melhor maneira. Um desses livros é o do escritor tcheco Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser. Livro que além de ser responsável por definir uma parte do que sou, ainda conseguiu mudar minha vida (assim como a Amélie). Qualquer opinião minha sobre o livro levaria rapidamente ao clichê, então para evitar esse tipo de coisa partirei para o que realmente interessa.
O livro traz entre tantas coisas, a questão que temos com a dificuldade de assumir o peso real da vida, ou de admitir que exista possibilidade de sermos leves.
A partir desse contexto, traçam-se histórias que se misturam e separam a todo momento.
O peso e a leveza sempre foram questões que me deixaram muito angustiadas, afinal, quem disse que a leveza é o desejável e o peso algo a ser excluído?
Bom, sempre me senti pesada, durante toda vida tive a sensação de carregar parte do mundo nas costas, talvez devido ao meu futuro sempre planejado e meus objetivos bem definidos. Afinal, quando definimos um caminho a seguir o que sobra é o peso das escolhas abortadas antes de se tornarem possibilidades.
Com o passar do tempo tive experiências que me mostraram a vida pela via da leveza, o que com toda a certeza me fez ver que ser leve tem o seu preço, que para mim se tornou caro demais.
Ser leve implica em desapego, uma grande dose de altruísmo, e seguir um caminho praticamente sem definição. Ok, isso é fácil de ser compreendido, mas como tudo na vida possui conseqüências.
Só de me imaginar vivendo uma vida sem planos e sem definições eu me arrepio. Tudo bem que um pouco de “deixa a vida me levar” faz bem pra qualquer um, mas não vamos exagerar.
No fim de todo esse caminho (muito confuso) entendi que a leveza (na minha vida) é muito importante, mas é melhor que ela apareça nas férias, quando não tiver muito no que pensar…
Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?
O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino, O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semireal, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes (KUNDERA, 1983).