Eu tenho hipóteses sobre quase tudo na vida, o que me facilita/dificulta a vida na maior parte do tempo. Uma das minhas hipóteses é a de que subentendido é mais bonito, mais interessante.

Claro que gosto da praticidade das coisas, mas quando tudo está muito escancarado perdemos a poesia.

Ter a capacidade ler nas entrelinhas e compreender todo o contexto é uma arte aprendida diariamente. Seja naquela troca de olhares que durou 3 segundos (mas que pareceu uma infinidade), nas meias palavras trocadas entre os dentes ou no sorriso cúmplice que é capaz de salvar de uma tormenta.

A possibilidade de ser entendida pelo “bom dia” me emociona, e  quem se mostra sensível a isto mais ainda.

Algumas vezes já ouvi que sou fria, egoísta e blábláblá, e agora acredito que entendo o sentido dessas afirmações, afinal eu não sou explícita e não faço questão disso, pois a entrega só é percebida pelos olhos analíticos.

Ok prefiro os analítico por natureza (construção), e agora? E agora eu agradeço por ser sensível o suficiente pra encontrar estes serezinhos parecidos comigo pela vida, pois como diriam os inspiradores do título desse blog: “Os opostos se distraem, os dispostos se atraem” (Teatro Mágico).

Agora me dêem licença,  vou voltar pro meu mundo de meias palavras, foram muitas palavras inteiras ditas em um único dia.

Hoje estava passeando pelos blogs da vida e me deparei com esta charge.

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Achei de um requinte indiscutível…

Afinal de contas, cada um com suas armas nessa guerra em que se transformou nosso dia-a-dia. 🙂

Ah, muito importante, a fonte: www.malvados.wordpress.com

Tenham um bom dia, e não esqueçam suas armas em casa, pq correm o risco de serem pegos de surpresa. As minhas estão comigo sempre, meio capengas, mas estão!

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A Lei de Murphy e suas variações são muito interessantes para compreender aspectos do cotidiano que vão além de nosso controle. Posso apontar um infindável número de ocasiões em que não pude culpar nada/ninguém além de Murphy (não tenho costume de apelar para entidades divinas ou coisa do tipo) pelo fracasso, ou resultado inesperado de algum feito meu.

Nas últimas semanas tenho me sentido vítima de sua atuação, pois realmente TUDO o que pode dar errado tem seguido esta regra. Então comecei a me questionar, quem é Murphy? Qual sua finalidade? Qual sua motivação? (Sim, questionamentos de alguém indignado e totalmente fora da razão). Mas no fim das contas cheguei a algumas conclusões.

Murphy é uma espécie de Saci, sim aquele menino que vive pregando peças nas pessoas, geralmente que vivem em fazendas, fazendo tranças em cavalos, roubando cachimbos e isqueiros. Ele age como bom malandro na surdina, sem se mostrar, aparecendo somente quando está fora do alcance de suas vítimas.

Mas qual a finalidade de Murphy? No fim de muitos devaneios e tentando ver as coisas sob uma ótica mais otimista conclui que ele tem como objetivo nos desequilibrar. Neste momento compreendi também sua motivação. Sim! Pessoas equilibradas não se movimentam, é a lei da inércia, ou seja, se um corpo está parado, ele tende a permanecer parado. Então Murphy/Saci faz a função de propulsor de movimento, cria questões a partir dos erros cometidos no caminho, nos mostrando que este não é o único que pode ser seguido. Faz com que o mundo continue a se mover, mas sempre com caminhos e possibilidades diferentes.

Então, quando se deparar com Murphy em seu caminho, ao invés de amaldiçoar o dia de seu nascimento (Murphy faz aniversário?) se felicite, pois é ele que possibilitará o desenvolvimento de novas ideias e a quebra com a rotina maçante.

Além de nos destituir de nossa falsa onipotência, mas isso é assunto pra outro post…

Gostaria de desejar um Feliz Dia do Amigo aos meus AMIGOS.  E também a todos grupos de amigos. 🙂

De presente fica o modelo de  amizade da minha infância…

p.s.: a qualidade tá ruim , mas o que vale são as lembranças não é mesmo?

Obrigada por acreditar em minhas fantasias, e também por me trazer de volta a realidade quando necessário.

Música de Glen Hansard e Marketa Irglova, trilha sonora do filme Once –  Apenas uma vez. Programa de hoje a noite, acompanhado de brigadeiro de panela! 😀

Como seres humanos temos grande facilidade para nos identificarmos com objetos, pessoas, livros músicas, e realmente nos apegar a isso, pois na verdade são esses objetos identificatórios que nos definem. Ou seja, quem somos, do que gostamos, o que queremos somente pode ser compreendido pelo OUTRO (podem dar risadas) através desse conjunto, ou da falta dele.

Eu, como boa neuróticazinha que sou, tenho uma bela coleção que fala por mim. Uma parte muito importante dessa coleção são os livros que li, porque esses realmente são os que conseguem me definir da melhor maneira. Um desses livros é o do escritor tcheco Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser. Livro que além de ser responsável por definir uma parte do que sou, ainda conseguiu mudar minha vida (assim como a Amélie). Qualquer opinião minha sobre o livro levaria rapidamente ao clichê, então para evitar esse tipo de coisa partirei para o que realmente interessa.

O livro traz entre tantas coisas, a questão que temos com a dificuldade de assumir o peso real da vida, ou de admitir que exista possibilidade de sermos leves.

A partir desse contexto, traçam-se histórias que se misturam e separam a todo momento.

O peso e a leveza sempre foram questões que me deixaram muito angustiadas, afinal, quem disse que a leveza é o desejável e o peso algo a ser excluído?

Bom, sempre me senti pesada, durante toda vida tive a sensação de carregar parte do mundo nas costas, talvez devido ao meu futuro sempre planejado e meus objetivos bem definidos. Afinal, quando definimos um caminho a seguir o que sobra é o peso das escolhas abortadas antes de se tornarem possibilidades.

Com o passar do tempo tive experiências que me mostraram a vida pela via da leveza, o que com toda a certeza me fez ver que ser leve tem o seu preço, que para mim se tornou caro demais.

Ser leve implica em desapego, uma grande dose de altruísmo, e seguir um caminho praticamente sem definição. Ok, isso é fácil de ser compreendido, mas como tudo na vida possui conseqüências.

Só de me imaginar vivendo uma vida sem planos e sem definições eu me arrepio. Tudo bem que um pouco de “deixa a vida me levar” faz bem pra qualquer um, mas não vamos exagerar.

No fim de todo esse caminho (muito confuso) entendi que a leveza (na minha vida) é muito importante, mas é melhor que ela apareça nas férias, quando não tiver muito no que pensar…

Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?

O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino, O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semireal, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes (KUNDERA, 1983).

Após ter escrito um post sobre minha dificuldade de compreender a razão das festas que finalizam o ano, e todo o espírito por elas trazido, venho eu morder minha língua e fazer minha retrospectiva. Porque afinal de contas, em 2009 eu serei uma pessoa melhor e talvez esse seja um bom começo.

Agora eu me questiono, por onde começo? A ordem cronológica dos episódios nunca foi meu forte. Sou capaz de confundir inclusive os anos dos acontecimentos, imagina os meses e dias. Mas uma coisa que tenho forte é memória, ta certo que para coisas que não me tem muita utilidade, mas que eu lembro de quase tudo eu lembro.

Então, esquecendo da ordem e lembrando o que realmente aqui interessa, muito provavelmente só para mim. Porque não deve ter coisa mais chata do que fazer retrospectiva da vida dos outros, se bem que a muitos deve ser bem interessante.

Ok, ok! Parei de explicar…

Então, esse ano foi bem parecido com muitos outros anos da minha vida (nem tantos assim).

Eu trabalhei (bastante!);

Estudei (mais ainda);

Quero férias (pelamordedeus);

Tive oportunidades incríveis (não aproveitei todas elas ;/);

Conheci pessoas que vão marcar para sempre (de alguma maneira);

Tive a melhor Páscoa e Natal da minha vida (e os mais estranhos também);

Vivi situações pesadas (aprendi o que significa empatia);

Reconheci minhas três almas gêmeas (ter uma só é para os fracos);

Descobri que o amor é muito maior do que imaginava (mas ele sozinho não basta);

Mudei! (desde corte de cabelo até as atitudes);

Sorri, chorei, fiz birra, festei, bebi, me arrependi (muito pouco). Enfim, fiz tudo o que qualquer pessoa comum faz, ou deveria fazer. E não, não vou dizer que existe algum diferencial aí, porque no fim de tudo, eu não passo de uma menina comum.

Fico feliz por ter estudado na mesma “escolinha” que todas elas, obrigada.

Agora com licença. Como vou ser uma pessoa melhor em 2009, preciso de um tempo pra conseguir saber melhor no que…

Um Feliz Ano Novo pra mim e pra todo mundo, e muito: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou” para todos nós.

pes31 Eu tenho um amigo de longa data, que um dia ao falar da exuberância da atriz Penélope Cruz disse para mim palavras que até hoje lembro. Disse que ela deveria ter algum defeito, provavelmente pés gelados, o pior defeito que uma mulher poderia ter.

Naquele momento tive um sobressalto, afinal de contas o que um pezinho gelado pode ter demais? São até charmosinhos, um ótimo pretexto para pedir um chamego, afinal de contas, pés gelados precisam ser aquecidos.

Exatamente neste ponto se encontra o problema. Homens não gostam de aquecer pés gelados (pelo menos os que eu conheço). Então ali me vi em uma encruzilhada, afinal de contas, meus pés são duas pedras de gelo até mesmo no verão. E ficam mais e mais gelados quanto mais sozinha eu me sinto (mais um segredo revelado), porque afinal de contas até aquele momento encarava os pés de outra maneira.

A partir desse dia comecei a perceber a temperatura dos meus pés. Isso pode parecer a maior bobagem mas foi importante pra mim, afinal de contas me senti indo de pijamas no primeiro dia de aula. Foi então que descobri o segredo acima contado que me recuso à repetir. Na mesma hora pensei: MALDITOS PÉS! Nem vocês pra me ajudar?

Após o segundo sobressalto, da segunda descoberta, que levou muito mais tempo que a primeira, procurei por soluções. Porque oras, sou uma mulher moderna e independente, não posso me deixar ludibriar por mim mesma.

Depois de muita briga com meus pés, que adoram me denunciar, e também de perceber que sou eu que mando aqui, resolvi meu problema.

Agora, pros meus pés gelados eu tenho meias. 🙂

 

grinch8Aos apaixonados pelo Natal eu peço licença, pois o que vou trazer nesse post pode não ser nada agradável aos seus puros corações.

EU NÃO GOSTO DE NATAL.

Não gosto, muito menos do espírito trazido com ele. Não gosto talvez por não entender o sentido de iluminar nossas casas (e gastar um belo bocado à mais de energia), de fingir que faz frio ao ponto de nevar (Papai Noel sofre em nossas terras), e principalmente de imaginar que a partir do próximo ano tudo será diferente e mais feliz.

Isso tudo muito bem fechado com as comemorações de ano-novo, evento em que todos voltam à se amar e esquecem suas diferenças. Convenhamos, quem não cansou de ouvir: “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”?? Por favor, até o mais puro dos corações uma hora cansa dessa repetição massificante de ano em ano.

Essa música só me remete à idéia do fracasso de seu ideal, afinal de contas, se conseguíssemos alcançar em algum dos (milhares) anos em que ela toca, os votos que ela propõe, não precisaríamos mais cantá-la. Ou sou eu que não entendo NADA de Natal e festas afins.

Acredito que podemos sim mudar o mundo, e esquecer nossas diferenças e falhas, só não entendo porque isso só funciona uma vez ao ano e num dia específico. Agora eu finalmente entendo o Grinch (http://www.youtube.com/watch?v=KxE0Y2XMaF4), para quem não o conhece, ele é um ser que vive exilado “dentro de um floco de neve, lá de cima do Monte Espicho, ao Norte da cidade, uma certa criatura mesquinha que vive numa caverna está observando aqueles que mais adoram o Natal, os Quem, de Quem-lândia, em suas frenéticas preparações natalinas. Essa criatura é o Grinch e ele fica totalmente doente com esse alegre espírito de Natal. Por que o Grinch é tão… Grinch?
Ninguém sabe, nem mesmo seu companheiro solitário, o eterno oprimido cachorro Max. Pode ser porque sua cabeça não foi bem aparafusada, ou talvez porque seus sapatos são muito apertados, ou porque seu coração é duas vezes menor que o normal. Mas, de repente, da cara emburrada surge um sorriso malevolente e uma lâmpada maldosa ascende sobre a sua cabeça… O Grinch acaba de ter uma maravilhosa e terrível idéia.” (How the Grinch Stole Christmas, Ron Howard).

E O Grinch decide roubar o Natal…

Não eu não tenho essa idéia megalomaníaca, mas entendo o que o moveu. Respeito sinceramente quem é devoto dessa e de outras comemorações. Talvez seja o momento de alguém me explicar qual o real sentido de Natal.

Será que algum coração puro e intocado pela maldade do mundo se habilita?

Sempre gostei muito de contos de fada, me identificando com eles ou não. Gosto do ar doce que eles dão à vida, e principalmente dos modelos criados por seus autores, à serem seguidos ou evitados. Afinal de contas, eles não passam de histórias contadas para todos nós desde a infância para que possamos fugir do aprendizado pelas contingências. Um bom exemplo para isso é a história do menino que gritava lobo, um conto que traz como moral que a mentira traz conseqüências, muitas vezes das mais graves.

No entanto, esses ensinamentos morais, muitas vezes soam sem sentido para ouvidos infantis e até mesmo aos mais aguçados. Trazendo consigo idéias de culpabilização e medo.

Lewis Carrol, em seu brilhante conto, Alice no País das Maravilhas, traz uma personagem muito interessante. (Personagem está, que não se encontra na versão de desenho animado da Disney). Esta é a Duquesa, pessoa que gosta muito de conversar, mas possui uma necessidade quase absurda de criar moral para todo e qualquer tema de conversa. Chegando as mais incoerentes e irreais conclusões.

Essa personagem me remeteu à idéia gerada, talvez, pela era do politicamente correto de tentar tirar lições dos acontecimentos cotidianos. Estou certa da importância do aprendizado gerado pelas vivências de cada um, mas sinto que exista uma necessidade um tanto quanto forçosa das pessoas fecharem fases em suas vidas como se fecham os contos de fadas infantis, tentando de alguma maneira encontrar as razões de tais momentos. O que nos faz perder talvez a essência desses momentos, já que conseguimos racionalizar todo e qualquer acontecimento, sentimento, pensamento…

Não quero com isso levantar a bandeira do: VIVA COMO SE FOSSE MORRER AMANHÃ. Gostaria somente de chamar a atenção para a vida, e para o que ela pode oferecer, sem racionalizações banais e moralizações que não nos levariam à lugar algum. Talvez seja o momento de cada um, como personagem do seu próprio conto de fadas, escolher se existe motivo de criação de novas morais pra sua história, ou se hoje é só mais um dia de sol (ou chuva ;/) que deve ser sentido com todos seus sabores e dissabores.

Então, quem se atreve a dizer qual a moral da história?

 

Tenho que confessar que a escrita sempre foi algo que me fascinou, desde muito pequena quando a única coisa que conseguia escrever era meu próprio nome. Mas algo sempre me impediu de escrever livremente. Escrevo para os trabalhos da faculdade, ou quando sou realmente obrigada. Mas sempre tive muita vontade, sempre. O que faltou foi coragem, e saber onde que começaria.

Tive alguns blogs durante a vida, nenhum realmente vingou, não sei bem explicar o porquê, mas sei que nenhum deles realmente teve minha cara. Por esse motivo comecei a partir da minha dificuldade, dizem por aí que falar de nossas falhas e faltas auxilia, vai que é esse o caminho?

Espero sinceramente que sim, pois tenho real admiração pelos que conseguem dominar esta arte. E acima de tudo, não ter medo dela. Pois a palavra escrita está totalmente relacionada à quem a escreveu, seja qual for o método e a finalidade. Tanto que pessoas intimas conseguem distinguir dentro de vários textos quais são seus autores.

Acredito que o primeiro passo foi dado, agora é me familiarizar com a idéia de colocar em palavras escritas o pouco que consigo perceber e transformar do mundo.